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A mostrar mensagens de junho, 2021

Como se laços erguessem

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Queridas irmãs queridos irmãos, queridos amigos,  Rita querida Rita e ao dirigir-me a ti que bom seria que cada um substituísse o nome da Rita pelo seu porque podemos hoje, a propósito do batismo da Rita, lembrar o nosso. Que genial esta coincidência de no dia do teu batismo nos serem servidas estas leituras Rita, e deixa ecoar no teu coração o pórtico destas leituras, a primeira frase do livro da Sabedoria “não foi Deus quem fez a morte, Ele é um Deus de vivos ".  O que hoje saboreamos contigo Rita, o que saboreamos uns com os outros, e é isso que fazemos sempre que nos juntamos à volta desta Mesa, é descobrir que Deus habita a vida e Deus manifesta-se nos nossos gestos de vida de cada vez que nós erguemos, de cada vez que nós permitimos, de cada vez que nós perdoamos, de cada vez que nós escutamos. De cada vez que nos cuidamos uns aos outros manifestamos a sua presença, uma presença silenciosa e discreta de quem está do nosso lado. (não vou demorar porque a eucaristi...

A existência a partir da ausência

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Queridas irmãs, queridas amigas  Acolhamos estes textos como alimento de caminho, como luz no nosso caminho, temos lido este capítulo VII do evangelho de Mateus de forma continuada, começámos ontem, nele estão ditos de Jesus, frases soltas que os discípulos guardavam na memória e transmitiam de geração após geração e Mateus organiza-os numa espécie de discurso e percebemos que a coleção de frases vem em contextos diferentes, "não deis aos cães o que é santo", "não lanceis aos porcos as vossas pérolas " e eu recebo esta frase e cada um recebe esta frase, e eu sou capaz de dizer: se não tivessem lançado o que é santo aos cães e pérolas aos porcos eu não estava aqui, porque aos olhos da pureza judaica estes animais são os despidos de instrução, são equiparados aos que não conhecem a instrução rabínica, são os outros, são os gentios. E se não tivessem lançado o que é santo e isso entende-se a carne imolada em sacrifício, mas vamos nós entendemos a semente do Reino d...

Vês riqueza na pergunta?

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Queridas irmãs, queridos irmãos, queridos amigos  O texto de hoje, se é que há dúvidas quanto a isso, o texto de hoje como os textos de cada vez que aqui nos juntamos, são sentidos de maneiras diferentes em cada coração. Os textos que hoje lemos, particularmente o final do capítulo IV do Evangelho de Marcos, eu estou certo de que cada um o saboreia à sua maneira. No inicio do capítulo IV, Marcos fez questão de dizer que havia tanta gente ali na praia, e nós guardamos esta no nosso caderninho... boa, Jesus falava na praia! Estava tanta gente na praia que para Jesus se fazer ouvir, e porque Jesus era um Rabi a quem muitos seguiam, o Rabi pode falar sentado, Ele subiu a um barco e sentou-se... E nós fomos ouvindo o que é que Jesus foi dizendo nestes domingos sentado em cima de um barco. Falou do Reino, falou do Reino como uma semente que é lançada à terra e que cresce, falou do Reino como uma árvore que cresce, que cresce e dá abrigo, falou, falou, falou... Falou de um semeador,...

Até aceitar

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Queridas irmãs, queridos irmãos, queridos amigos  Acolhamos os textos que nos são servidos, à volta da mesma mesa como alimento, acolhamo-los como semente que germina para fazer de nós alimento, talvez seja por isso que insistimos em vir a esta Mesa e vamos, aqui e ali são sempre os mesmos ainda  que demorem a repetir-se, vimos aqui ouvir os mesmos textos para sermos pão, para que a semente germine no nosso coração a ponto de sermos dom. Há de facto uma ligação nas leituras que escutámos, quer na primeira do Profeta Ezequiel  quer no Salmo, quer no Evangelho de Marcos. Escutávamos a metáfora da árvore, do cuidado da árvore, da planta... uma planta que começa numa semente tão pequena e contra todas as previsões, como por exemplo o arbusto da mostarda chega a ser a maior das árvores da horta. Mas há um detalhe, quer no livro do Profeta Ezequiel quer o salmista, que Evangelista Marcos, fazer determinar o ciclo de desenvolvimento da planta num pormenor e talvez seja esse ...

Família é tudo menos um grupo de iguais

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Queridas irmãs, queridos irmãos, queridos amigos  Que bom que estas palavras nos devolvem o amor à Palavra, o amor a Jesus e nos aproximam. Que bom que esta Mesa onde repartimos o Pão e chega sempre para todos nos sintoniza como carentes, famintos... Que bom que estes gestos ainda que rituais e simbólicos não nos deixam na mesma. Que oportuno celebrarmos o X domingo do tempo comum com as leituras que nos são servidas. Nós que dizíamos a semana passada que ao celebrarmos a Trindade não temos ferramentas nem vontade de saborear o que é isto da Trindade, queremos sim saborear a obsessão de Deus em sermos família, em integrar-nos na sua família e quase a dizer-nos que: "escutem, se não é para formarem uma família não percam tempo, não vale a pena, vão para outro lado, façam outra coisa..."  Como se a única tarefa do cristianismo fosse a criação de uma família, a criação de laços para lá da cor da pele, para lá das crenças de uns e outros, para lá de tudo, para lá das diferenças t...