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A mostrar mensagens de janeiro, 2022

ninguém aprende a confiança sozinho

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  Queridas irmãs, queridas amigas  Acolhamos estes textos de coração aberto como se fosse a primeira vez que nos fossem servidos, que possam germinar no coração as sementes que estas palavras nos trazem.  Escutámos na primeira leitura uma das páginas mais nojentas que a Escritura consegue conservar, uma história nojenta, não suportamos ter de ouvir isto, ter de gramar isto. Pode David ter feito uma coisa destas? Usado uma mulher, destruído uma família, participando da morte de um homem inocente, tudo tão nojento... E aqui para nós, quer o cronista do reino, quer o autor que escreveu este texto, podiam falar da história de Israel a partir de acontecimentos vitoriosos, a partir de acontecimentos nobres e não faltam dados, aliás todas as histórias, todas as crónicas, tendem a ter alguma parcialidade, sobretudo estas em que contavam as façanhas dos reis, dos líderes do povo, do próprio povo. Mas que bom que os autores, ao falarem de Israel e ao falarem da história de Israel...

Se a palavra se fez carne, podemos escrever com o corpo

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  Queridas irmãs, queridos irmãos, queridos amigos    Acolhamos estes textos como nosso alimento, como alimento da nossa fome, e hoje quase em sentido literal. Hoje que na tradição romana, na tradição católica do cristianismo, forçamos uns aos outros a chamarmos a este dia o domingo da Palavra, o domingo da Palavra.  Queremos reconhecer que queremos comer esta Palavra, queremos que esta Palavra seja o nosso alimento. Queremos escrever com palavras a nossa vida e a vida da nossa igreja e a vida da nossa comunidade. E escrevemos com palavras e escrevemos com Palavras feitas carne, escrevemos com gestos, escrevem com a nossa vida doada, partilhada, em gestos discretos, em presenças, em silêncios, em escolhas, vendemos ao domingo da Palavra. E a verdade é que na primeira leitura e no evangelho, quem escolheu os textos s decidiu-se pela literalidade, embora por aqui textos e palavras e rolos. Escutávamos na primeira leitura, no livro de Neemias, escutávamos o povo  e...

Porque nos falta a alegria?

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Queridos irmãos, queridos amigos,  todos os que se juntam de coração amoroso a este encontro de famintos e de sedentos como dizíamos no início.  E hoje a nossa sede é sublinhada no parágrafo que escutamos do capítulo II do evangelho de João onde, o que é que aconteceu ali? O que é aquilo?  O que quer que seja,  a vida cristã é uma espécie de casamento, a vida cristã é uma espécie de festa, a vida cristã é o lugar onde não falta a alegria, e cada um saberá dizer isto com a sua vida, cada um saberá dizer isto com o seu percurso, com as suas feridas, com as suas cicatrizes... a mesma festa e a mesma alegria que conhece dias de dor, dias de sofrimento, conhece lágrimas e que conhece superação e que conhece erguer-nos uns aos outros e que conhece dias de sol e dias de chuva, não sabemos bem o que é que João quer dizer. Esta história que escutámos hoje é inédita nos evangelhos, mais nenhum outro tem um paralelo sobre este texto, é talvez poucochinho o sentido literal deste...

Levo a sério um Deus que se põe na fila

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    Queridas irmãs, queridos irmãos, queridos amigos Que bom que não precisamos de motivos para nos juntarmos, que bom que aquilo que temos e bastante, o que temos o que trazemos, o que desejamos é bastante, é bastante para renovarmos o tempo. Porque é que nós celebramos este dia? Recordamos o Batismo de Jesus e o fim do Tempo do Natal, o fim do Tempo da Epifania, nós que agora vamos começar um Novo Tempo na liturgia a que nós chamamos um Tempo Comum, onde queremos tornar comum a Páscoa de Jesus. Porque é que celebramos o Batismo no final deste tempo? Talvez, estamos no domínio do simbólico, talvez porque este acontecimento na vida de Jesus, ainda que não tenha uma data no calendário, ainda que seja um momento interior, os gregos têm duas palavras pra dizer tempo, o crono que é o tempo do relógio e o kairós que é o tempo que acontece, é um tempo de outra ordem, quando tem que acontecer. E este pequeno insight na vida de Jesus, que celebramos no dia de hoje muda tudo... ...