O que nos diz João e o sol? João 24 de junho
Queridas irmãs, queridas amigas
Brindemos a João, celebrando a nossa Páscoa,
celebrando a Jesus, brindemos a João.
"Ele vai chamar-se João" não, não é
Zacarias, Ele vai chamar-se João.
E foi assim desta forma que Lucas quis pintar no seu quadro, que são estes dois capítulos do seu Evangelho, o tempo simbólico que ele apresenta, que ele recria, que ele nos apresenta, deste modo Lucas quer falar-nos de uma nova aliança. Em João congregam-se as duas alianças.
João é todos os profetas, João é o último dos
profetas, João é quem aponta o Messias a chegar, o Messias (nalgumas traduções
talvez mais literais) já dentro de nós!
Saboreemos essa alegria. Não é à toa que este dia é
grande, não é à toa que se celebra João O Batista.
Não é à toa que se celebra o nascimento e a morte
deste homem, é muito importante.
Ele vai chamar-se João e as possíveis traduções do nome João podia ser "Deus é misericordioso, Deus é misericórdia, Deus é cuidadoso, é afável. E não vai ser Zacarias, (por uma possível tradução) podia ser Deus recorda-se.
E neste jogo de nomes, também Lucas nos quer falar de
uma Nova Aliança, de uma outra coisa. Já não de um Deus que podia ser lido e
usado como um contabilista, como aquele que se recorda, como aquele que não
deixa passar, que há-de presidir a um juízo, e mais para um Deus que esbanja,
um Deus exagerado.
O nome de Deus é misericórdia a partir de agora, é um
Deus que se excede e queremos brindar a tudo isso e agradecer tudo isso.
João Batista é quem nos prepara para uma Nova Aliança,
uma aliança onde já não se vai constituir um grupo de servos, já não somos
servos de Deus, já não somos servos de um Deus que não se esquece, de um Deus
que recorda, somos Luz, não basta que sejas servo, VOU FAZER DE TI LUZ!
E a verdade é que nós somos Luz na medida em que
revelamos o Deus da Misericórdia que Jesus veio revelar e decidiu-se habitar
dentro de nós.
Somos Luz e porventura é essa a marca da Nova Aliança,
da Aliança definitiva do Deus de Jesus.
Somos Luz e como é que havemos de ser o rosto da
Misericórdia de Deus, como é que havemos de manifestar a misericórdia de Deus?
Olhemos para João. João foi verdadeiramente impactante, ninguém ficou
indiferente à sua passagem, à sua presença.
Há quatro séculos que o povo de Israel não reconhecia
em ninguém profecia, que não chamava a ninguém profeta e em João sim,
unanimemente era reconhecido como profeta e teve a morte de todos os profetas,
a morte violenta de todos os profetas.
E o que é que ele fez? Ele propôs-se a ir ao Jordão e simbolicamente
apresentar uma proposta de recomeço. E a verdade é que para os filhos de Israel
ir ao Jordão é um piscar de olho, foi pelo Jordão que entraram na terra
prometida, regressar ao Jordão em certa medida é um convite a recomeçar, a
repensar, a refazer, a refundar.
E sim, pela linguagem, pelas roupas, pela alimentação, João foi uma proposta de uma vida alternativa e isso é profético. João apresentou-se ele próprio uma alternativa. E porventura também queremos celebrar isto.
Somos chamados a uma vida original, a uma vida alternativa e somos chamados a recomeçar. Em Jesus somos chamados a recomeçar Ele que é o Deus da ressurreição, Ele que é o Deus erguido, Ele que é o Deus que nos segreda ao ouvido, NÃO HA NADA SUFICIENTEMENTE MORTO NA TUA VIDA QUE NÃO POSSA ERGUER-SE, não há nada suficientemente perdido na tua vida que não possa encontrar-se. E João, é isso que aprendemos neste solstício de verão, João é quem diz: É PRECISO QUE EU DIMINUA PARA QUE ELE CRESÇA.
E por isso na ordenação do tempo e na montagem
simbólica do calendário litúrgico do tempo achou-se por colocar o nascimento de
Jesus no solstício de inverno a partir do qual os dias começam a crescer, e
Jesus é o nosso Sol, é o sol da nossa vida, e achou-se por bem colocar a
memória de João no solstício de verão, onde os dias a partir de agora começam a
diminuir.
Sim, olhemos para João e celebremos a nossa condição de discípulos de Jesus nós que somos convocados a um recomeço, nós que somos convocados a uma forma original de vivermos, nós que somos convocados a diminuir, e ao dizermos diminuir não queremos dizer retirar dignidade, pelo contrário... como é que nós diminuímos? O que significa isso de diminuirmos?
Nós bem sabemos a tralha que acumulamos, os nossos
ressentimentos que carregamos anos a fio, as nossas indisponibilidades a
perdoar anos a fio, os nossos desencontros, as nossas feridas, reparemos o quão
exclusivas se tornam, só cabemos nós, só caibo eu, as minhas certezas, os meus
juízos e preconceitos, e o meu modo de pensar e a minha comodidade...
João é a figura do desconforto, escolheu roupas
desconfortáveis, uma dieta desconfortável e foi fazer coisas desconfortáveis,
viveu desconfortavelmente, morreu desconfortavelmente.
Possa isto ter algo a dizer-nos,
Nós não queremos ser fiéis de um Deus onde consolamos
as nossas certezas e onde nos safamos, onde me salvo a mim e basta-me...
Não basta seres meu servo, quero-te LUZ, porventura a segunda aliança, a Aliança de Jesus distingue-se da primeira neste capítulo da exclusividade, de uma Aliança exclusiva onde é salvo o povo amado do Senhor, diferentemente de todos os outros povos, a segunda Aliança é uma Aliança inclusa onde tu és chamado a deixar caber mais um e sim, é preciso que eu diminua para que caiba mais um, e diminuímos quando dispensamos o perdão, quando revemos as nossas certezas, quando recomeçamos, quando escutamos, quando excedemos em misericórdia. Somos Luz do Deus de Jesus, diminuímos e fazemos caber mais um e é assim que brindamos a João Batista e é assim que celebramos a nossa Páscoa.
(O que nos diz João e o sol? João 24 de junho - breve comentário aos textos bíblicos lidos em comunidade | Lisboa, 23 de Junho de 2022. Nascimento de João, o baptista | Isaías 49,1-6; Actos 13,22-26 e Lucas 1,57-66.80.)
https://aquelequehabitaosceussorri.blog/2022/06/23/o-que-nos-diz-joao-e-o-sol/

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