Fará sentido viveres com medo de quem te conhece?
Queridas irmãs, queridas amigas
Mergulhemos nesta página do Evangelho com vontade de permanecermos mergulhados na vida de Jesus, vistamos estas palavras porque nos assemelham a Jesus, queremos deixar-nos transformar por elas para nos assemelharmos a Jesus e mais que isso para vermos nos outros Jesus.
Jesus Pascal, Jesus que passa, Jesus numa oportunidade de salvar, nós que já sabemos o fim da história eramos capazes de reformular a primeira pergunta deste parágrafo, "Senhor são poucos os que se salvam?" Nós talvez disséssemos, "Senhor são poucos os que não se salvam?"
Nós que acreditamos que a missão de Jesus foi derrubar fronteiras, já não há judeu nem grego, escravo nem homem livre, cidadão ou estrangeiro, Ele que veio para todos, Ele que deu uma outra oportunidade aos que já não tinham oportunidade, Ele que ergueu últimos, Ele que começou por últimos, para que ficasse claro que cabiam todos, não percebemos bem se esta pergunta se mantem.
Talvez para aqueles judeus que o apanham no caminho de Jerusalém faça sentido porque é uma novidade de Jesus, mas deixemos que a pergunta ecoe desta maneira e de outra.
Possa este texto reconciliar-nos com a nossa fragilidade, com o que somos.
Com aquilo de que nos envergonhamos, com o julgamos ser pouco...
Sintamos que esse eu despido, esse eu nu, esse eu como eu sou, foi um eu desejado por Deus, foi um eu criado por Deus, foi um eu Salvo por Deus.
Possa a reconciliação com a nossa fragilidade devolver-nos a necessidade de nos olharmos uns aos outros como Rosto de Deus, a necessidade de nos olharmos uns aos outros como erguedores uns dos outros, como implicados uns com os outros.
Subamos para Jesus de coração renovado, disponíveis a beber o vinho novo e batamos à porta Daquele que nos conhece.
(fará sentido viveres com medo de quem te conhece? breve comentário aos textos bíblicos lidos em comunidade | semana XXX – Quarta | Lisboa, 27 de Outubro de 2021. Romanos 8,26-30 e Lucas 13,22-30.)

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