Alegria como finalidade, porque sim - Maria, em Dies Natalis
Queridas irmãs, queridas amigas
Celebramos Páscoa, é o que fazemos em cada domingo, e
hoje celebramos Páscoa com uma companhia especial, lembramos Maria, uma do
nosso grupo, uma próxima de Jesus e o que nos dá maior satisfação, fica até ao
último suspiro da vida de Jesus. É essa a grandeza de Maria, é por isso
que ao longo dos séculos tanta ternura se derrama sobre o nome de Maria, sobre
a pessoa de Maria, não queremos dissociá-la da figura de Jesus, não queremos
engrandecê-la mais do que uma discípula fiel, é esse o seu grande valor, é essa
a grande inspiração Para ca um de nós, queremos a Páscoa na vida de Maria e
queremos celebrar a Páscoa de Jesus com a inspiração de Maria.
Hoje celebramos a morte de Maria e ao longo dos séculos tanta ternura A Igreja presta por esta mulher que nunca consegue dizer morte de Maria. O Oriente tem neste dia a dormição de Maria, nós falamos de uma subida aos céus porque não suportamos que ela conheça a mesma dor que nós conhecemos, não suportamos que ela experimente a perda, a ausência que representa a morte para cada um de nós, ela sendo igual a nós experimentou tudo isso. E sim, falamos da morte de Maria, e sim, como cristãos desde a primeira hora, que olhamos para a morte como Dias Natalis, como o dia do nosso nascimento. E sim, celebramos com alegria a morte de Maria porque este é o dia do Seu Nascimento.
Ao celebrarmos este dia do Seu
Nascimento, celebramos o que aconteceu na vida de Maria, a Páscoa que aconteceu
na vida de Maria. Ela, uma miúda, com o que é característico das miúdas do seu tempo, ela com os seus projetos, ela com os seus medos,
expectativas e inseguranças arriscou dizer um sim, um sim muito imponderado, um
sim sem qualquer segurança, sem qualquer prudência. Eu gosto de lembrar quando
na hora das decisões se invoca a prudência, e fosse por prudência Jesus não
nascia, se fosse por prudência Maria não diria que sim. A prudência é uma
grande virtude e o risco é uma grande virtude, arriscar é uma grande virtude e
hoje celebramos também o risco na vida de Maria.
O que aconteceu na vida de Maria e hoje ao lembrarmos a sua morte, o fim da sua vida queremos lembrar o dua do seu nascimento, o mesmo é dizer a finalidade da sua vida, e a finalidade da sua vida é o que a Igreja hoje quer dizer com imagens e símbolos: ELA HABITA A ALEGRIA, ELA SABE O QUE É VER DEUS FACE A FACE, ELA SABE O QUE É DEUS SER TUDO EM TODOS! E nós também saberemos e nós com ela também saborearemos.
A finalidade da vida de Maria foi celebrar a Páscoa,
foi deixar acontecer Páscoa em cada decisão arriscada, em cada sim, em cada
incompreensão sobre a vida do seu Filho Jesus e mesmo assim não o abandonar
nunca.
Servem-nos nestes dias estes textos, particularmente o
este parágrafo que escutávamos do primeiro capítulo do evangelho de Lucas, já o
conhecemos de cor e salteado, o que nos é servido com este texto, Alegria,
muita Alegria!
É o texto da alegria, é o pórtico da alegria do
evangelho de Lucas, é a convocação das Alianças, da antiga Aliança e da nova
Aliança e é o texto da gratuidade.
Querido leitor, nem percebes o que é que Maria foi fazer a casa de Isabel, nem sequer se percebe. Não foi ajudar no parto e Isabel, diz-nos o texto que seria de idade avançada, o parto seria arriscado, ela necessitaria de ajuda e Maria veio-se embora e diz-nos o texto logo a seguir, seria altura de ela dar à luz e ela deu à luz.
Nós ficamos... como é que uma adolescente, uma miúda
grávida, faz uma viagem de quatro dias para a serra, sozinha e com tanto
esforço fica lá três meses e vem embora quando mais era precisa. Este é o texto
da gratuidade. É isto querido leitor, Maria foi lá por nada, Maria foi lá
porque sim, Maria foi lá porque sim!
E vês a exploração de alegria que aqui acontece na convocação das duas alianças? Que feliz foi Lucas neste texto tão simbólico, tão sugestivo para celebrar isto mesmo, o Encontro das Duas Alianças, o Encontro de Duas imagens de Deus, o Deus do castigo que não gostou da dúvida de Zacarias e o Deus da misericórdia que acolheu e habitou a dúvida de Maria. E é assim que queremos como Maria celebrar a Páscoa de Jesus.
Há uma grande consolação que nos vem da boca de Jesus,
Maria não é mais que tu por ter sido minha mãe, disse Jesus aos que o
escutavam, feliz Aquela que te trouxe no ventre e te amamentou querido Jesus,
feliz essa, olha que não, olha que não, feliz és tu que ouves a Palavra e pões
em prática, podes ouvir a Palavra e pô-la em prática e Maria foi feliz porque
ouviu a Palavra e a pôs em prática.
E sim, faz sentido o que os teólogos dizem para não exagerarmos, dizemos de Maria o mesmo que dizemos da Igreja e dizemos da Igreja o mesmo que dizemos de Maria e de facto si, ela é grande por ser discípula não por ser mãe, ela é grande porque ficou até ao fim em profunda incompreensão, ela é grande porque arriscou para lá de todas as prudências, e sim é com Ela que queremos celebrar o Deus da Alegria, é com ela que queremos celebrar a gratuidade de seguirmos Jesus porque sim, não para ganharmos isto e aquilo, porque sim, porque sim.
Nós que também percorremos montanhas da Judeia, nós
que também experimentamos decisões em profunda solidão, nós que também
experimentamos perdas, queremos lembrar neste dia a finalidade da nossa vida a
pretexto do dia de Natalis de Maria, queremos lembrar a finalidade, aquilo a
que a nossa vida aponta.
Sim, aponta-nos as montanhas da Judeia, e aponta-nos
viver a alegria, viver a alegria da gratuidade, viver a alegria de um
Deus que te escolheu porque sim, que te ama porque sim, que conta contigo para
dar forma ao Seu Reino e ao Seu Sonho, porque SIM!
(alegria como finalidade, porque sim | Maria, em Dies Natalis | breve comentário aos textos
bíblicos lidos em comunidade | Lisboa,
15 de Agosto de 2021. | Apocalipse 11,19 – 12,1-10; 1 Coríntios 15,20-27 e
Lucas 1,39-56.)
https://aquelequehabitaosceussorri.blog/2021/08/15/alegria-como-finalidade-porque-sim/

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