Como é o descanso dos aprendizes?
Queridos irmãos, queridos amigos
Acolhamos estes textos que são estímulo para o nosso caminho, acolhamos esta página do livro do Êxodo onde nos é servido o nome de Deus, e quão belo é o Nome de Deus...
"Eu sou o que é,
eu sou, eu sou ser eu sou o que sou!"
E todos os que se
dizem SER, conhecem o Nome de Deus.
"Eu Sou Aquele
que Sou, eu Sou o Vivente, eu Sou o SER".
Acolhamos este texto com especial ternura, nós que nos dizemos de Deus, nós que O buscamos, nós que Lhe consagramos o nosso coração, as nossas escolhas, a nossa vida, os nossos gestos, as nossas palavras.
Acolhamos este texto
com especial ternura e olhemos para o parágrafo deste capítulo XI de Mateus,
como o Deus de Jesus que também diz o Seu Nome, o Deus de Jesus diz quem é, não
sei se é demasiado genérico, eu diria que as religiões e também as ideologias,
caminham para um descanso, apontam como meta, como horizonte final, apresentam
o descanso como desejável e podia traduzir a palavra descanso por outras
coisas, menos tensão ou ausência de tensão. Conhecemos algumas tradições
religiosas apocalípticas que olham para o tempo presente e para o tempo futuro
como ameaça, como um tempo de provação, de exigência, de morte e chegará o
tempo do descanso, chegará o tempo da paz e apontam para um outro tempo, para a
eternidade como o tempo, a oportunidade desse descanso, desta paz.
Também em certa
medida as ideologias olham para o tempo presente como uma ameaça e um desafio e
como ponto de chegada, como meta a ausência de sofrimento, de tensão, a
reposição da justiça e naturalmente que cada ideologia imaginará um caminho
para chegar aí. E de facto não encaixamos todos nos mesmos
caminhos.
Curioso ser um desejo
nosso esse descanso, nós que olhamos para Deus e agora por via da filosofia, e
o livro do Êxodo, em certa medida, também é uma página da filosofia, olhamos
para Deus como a fonte da vida.
Há tradições que lhe
chamam energia, há conceitos filosóficos que lhe chamam o dinâmico, a dinâmica,
o movimento.
É curioso nós transportarmos e projetarmos para esse encontro com Deus face a face, Ele que é a Vida inesgotável, Ele que é a força, Ele que é a energia, Ele que é o movimento, projetarmos para esse encontro uma espécie de uma pasmaceira, uma vontade de descansarmos. Em certa medida é a projeção dos nossos cansaços, das nossas fadigas dos nossos trabalhos.
Teresa de Lisieux
dizia que nesse texto futuro, nessa falta de tempo, nessa eternidade, nesse
encontro com Deus, ela dizia: "eu quero ser o amor."
E amor é tudo menos
pasmaceira!
Fiquemos com o que Jesus diz aos seus discípulos depois de ser rejeitado pelos mais instruídos. Jesus acaba de ser rejeitado pelos fariseus e por gente esclarecida dentro da religião, exclama e diz, de facto o que eu tenho para dizer é compreendido por gente que não é ilustrada, é compreendido por pequenos, olha obrigado meu Deus porque os pequenos compreendem! E depois dessa exclamação apresenta-nos o parágrafo que hoje nos foi servido:
Vinde todos, vinde
todos!
Ainda estão por ali
os fariseus que o rejeitaram e este convite que evoca outras passagens da
escritura onde é
E este convite que
evoca outras passagens da escritura onde é a Sabedoria personificado numa
mulher que também chama a si aqueles que a buscam, vemos Jesus como também Ele
personificação da Sabedoria que chama todos, incluindo aqueles fariseus que o
rejeitem também eles estão cansados, também eles se cansam, quer no cumprimento
da lei, quer na avaliação dos outros, se cumprem ou não, quer no julgamento e
na condenação dos outros, quer na aplicação de penas, também se cansam...
"Vinde todos os que vos cansais, vinde todos os que vos afadigais, quero aliviar-vos".
A lei era conhecida
com jugo (aquela madeira que se coloca no pescoço dos bois, para acertarem o
ritmo, para poderem duplicar a força a lavrarem a terra).
Apesar da imagem
bruta, o que se quer dizer em certa medida, é que é uma necessidade que
queremos aceitar de bom grado, Jesus acrescenta, mais do que necessidade,
"o meu jugo é suave"
e a carga que vós
conheceis do cumprimento da lei, essas 613 prescrições diárias que tendes
de observar, "a minha carga é leve"! "a minha carga é
leve"!
Talvez porque a carga
de Jesus é assente na autenticidade. Ele que chamava aos fariseus hipócritas
porque impunham pesos nos ombros de outros que eles não eram capazes de erguer.
Talvez a autenticidade de Jesus reduza o volume da carga, talvez a
autenticidade de Jesus nos aponte a nossa autenticidade como medida.
"Vinde... Quero aliviar-vos... A minha carga é leve... Aprendei de
mim!" E é aqui que queremos descansar. APRENDEI DE MIM!
E é aqui que queremos descansar, aprendei de mim.
Em certa medida o que
é pedido aos discípulos de Jesus e a nós que tivemos a sorte de nos ter sido
falado de Jesus, de nos ter sido apresentado como Aquele que pode dar sentido à
nossa vida, a nossa condição é de aprendiz, o mesmo é dizer que bom seria se
revíssemos as nossas certezas ou aquilo que damos como certo. Que bom seria que
não nos deixássemos de interrogar, que bom seria que soubéssemos a vida inteira
que vivemos com interrogação, vivemos com questões, vivemos em busca, não temos
nada como adquirido.
Que bom seria que
esta condição de aprendizes, verdadeiramente nos devolvesse protagonismo na
construção do Reino que Jesus falava.
Os fariseus
rejeitarem Jesus, os pequenos, os marginais, os que não tinham possibilidade de
entrar no templo, os que não tinham possibilidade de praticar a religião, os
que não tinham possibilidade de se sentir povo e de se sentir família
perceberam o que é que Jesus dizia e seguiram-No, multidões que o seguiam.
Queremos nós também incluir-nos nesses todos que Jesus convida e queremos
repensar o nosso descanso.
Claro que nós
desejamos o descanso, desejamos o dia em que não façamos tanto e também
reconhecemos que não aguentamos não fazer nada, não aguentamos o descanso.
Talvez porque faz parte da nossa condição esse equilíbrio e essa tensão. Talvez
aquilo que nos desgasta verdadeiramente e que nos mata seja a aflição e sim, a
nossa vida é uma surpresa e há dias e há circunstâncias e há pessoas que nos
afligem e conhecemos vidas que são uma aflição
Nós verdadeiramente
queremos reconhecer que não queremos uma vida
de pasmaceira,
queremos talvez uma vida que não seja uma aflição, isto porque o descanso que
Jesus nos pede, que é aprender dele, em certa medida é aprender a cuidar, e o
cuidado não é uma pasmaceira.
Possa este texto
inspirar também o nosso verão e nosso descanso, onde queremos verdadeiramente
aprender a cuidar e a cuidar melhor, onde queremos rever aquilo que damos como
certo, para aprender a cuidar e cuidar melhor.
Possam as certezas
com que nos olhamos, as certezas com que nos classificamos, possam ser
questionadas
para que possamos
cuidar, para que possamos cuidar melhor, para que nos sintamos aprendizes do
coração de Jesus, manso e humilde.
(breve comentário aos textos bíblicos lidos em comunidade | semana XV – Quinta | Maternidade Dr. Alfredo da Costa, Lisboa, 15 de Julho de 2021. Êxodo 3,13-20 e Mateus 11,28-30)
https://aquelequehabitaosceussorri.blog/2021/07/17/como-e-o-descanso-dos-aprendizes/

Comentários
Enviar um comentário