O que pensas fazer com o prémio? S. Bento de Núrsia

 

Antes no nosso almoço, não sei se ainda vou a tempo...

Que estes textos possam ser aperitivo, que estes textos possam abrir-nos o apetite,

e para isso estes textos que nos são oferecidos, queremos desembrulha-los e precisamos de desembrulhado estes textos e desembrulhar este evangelho que Mateus nos serve para  saboreá-lo melhor. 

Mateus escreve a uma comunidade de frente que começa a ser ridicularizada por pertencer a uma seita, por seguir Jesus, esse judeu marginal, esse camponês do Norte da Galileia. Mais ou menos como nós hoje tratamos as seitas, assim fomos tratados também.

Pessoas que se juntam sem percebermos qual é a finalidade, habitualmente julgamos que não conhecem tudo, não sabem tudo, têm um conhecimento parcial, lembremos que fomos tratados assim, fomos tratados como uns diminuídos. E Mateus tem esta necessidade de dizer a esses diminuídos, a esses que se sentiam diminuídos, VALE A PENA PERSEVERAR. Como Jesus perseverou, nós que O seguimos queremos imitá-lo também na perseverança. 

Fará todo o sentido este texto para gente que experimenta perseguição, para gente que experimenta o escárnio e o gozo.

Mateus coloca na boca de Jesus um prémio final, uma recompensa final, àquela pergunta de Pedro, nós deixamos tudo, o que é que vamos fazer com esta insegurança? O que é que tu tens para me oferecer? Que segurança é que tu nos dás?

É possível que este texto ajude muito a caminhar, é possível que este texto ajude muitos a  chegar até Jesus.

Quando se fala de uma recompensa, de um prémio  é possível que muita gente se sinta seduzida a querer descobrir Jesus. Porém, precisamos de desembrulhar este texto e precisamos de dizer uns aos outros e precisamos de segredar ao nosso amante, ao nosso Jesus a quem nós amamos, a quem nós queremos tanto, que é a razão das nossas escolhas e da nossa vida, que é a razão de estarmos aqui nesta hora, nós que já lhe dedicamos tanto tempo, nós que lhe dedicamos tanta vontade, tanto desejo, nós que vivemos para vê-lo um dia face a face, precisamos de dizer-lhe: Jesus eu não quero prémio. Eu não te sigo para ter uma recompensa.

Guarda lá o prémio, guarda lá a recompensa, EU JÁ TE DESCOBRI! 

Eu não quero um prémio. 

Precisamos de chegar aí, precisamos de dizer uns aos outros e de caminharmos nessa maturidade cristã, para dizermos uns aos outros e para dizermos em segredo a Jesus, nós não queremos prémio. Nós não seguimos Jesus para termos um prémio, nós não seguimos Jesus para termos uma recompensa, precisamos de chegar aí. 

Pode ser que para uns custe mais do que para outros. Porventura a alegria que sentimos de já nos sabermos metidos no Reino, já nos sabermos colaboradores de Jesus na construção de um Reino onde cabem todos, ao saber-nos amados por um Deus a quem podemos tratar por papá, ao saber-nos envolvidos por Deus num Espírito que nos dá vida e que nos envolve por todos os lados, porventura não queremos mais nada, não precisam de mais nada! E quem se sente já tão rico com, nem saber porquê descobriu Jesus, nem saber porquê lhe foi dado ter descoberto Jesus... Quem se sente assim, quem se vê assim já se sente premiado, já há um grande prémio. 

Queremos sim perguntar uns aos outros, o que é que pensas fazer com o teu prémio? O que é que pensamos nós fazer com o nosso prémio? 

Nós que somos... eu  não fiz nada para que Jesus viesse até mim, eu não fiz nada para que Jesus me escolhesse, eu não fui melhor que ninguém para sentir o teu amor por nós, para sentir o teu amor por mim, para me sentir imprescindível aos seus olhos, não fiz nada, não fiz nada! Porventura não fizemos nada que merecesse isso.

O Reino não é um prémio e não é um merecimento, é um dom e todos os que o recebem são chamados a viver como dom, a viver em dom, em oferta de si.

Queremos olhar para Bento de Núrsia, para o fundador dos Beneditinos, para o fundador da vida comunitária, da vida religiosa comunitária, queremos olhar para este homem tão inspirado, que foi capaz de montar a Europa, a noção que temos hoje de Europa, a noção que temos hoje de civilização, se calhar devemos tanto a este homem, a este Bento, a este construtor de cristianismo, porque acreditou que o maior tesouro seria a comunidade, seriam as nossas relações, seria vivermos em dom uns para com os outros.

Olhemos pars S. Bento e para a regra que ele deixou aos seus monges, ele que dizia aos seus monges, orientando toda a estrutura do dia, a estrutura do tempo numa solução tão equilibrada, tão harmoniosa. 

Ele que dizia aos seus, o hóspede é Cristo e os deixava em permanente atitude de acolhimento a todos os que passavam nas Abadias, a todos os que passavam nos Mosteiros.

Sintamos que é esse o nosso ponto de chegada. Chegarmos ao ponto de reconhecermos no outro a visita do nosso amado  a visita do nosso Jesus. O HÓSPEDE É CRISTO! 

O outro para nós é o Deus que nos visita, esse é o nosso prémio. Essa é a nossa recompensa e a nossa oportunidade de sermos como Jesus, vivendo em dom, cuidando e não deixando ninguém para trás.

(breve comentário bíblico e teológico | Bento de Núrsia, festa na Europa | Maternidade Dr. Alfredo da Costa, Lisboa, 11 de Julho de 2019. | Provérbios 2,1-9 e Mateus 19,27-29.)

https://aquelequehabitaosceussorri.blog/2019/07/12/e-o-que-pensas-fazer-com-o-premio/

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